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Coaching ou Psicoterapia? Entenda as diferenças. Por Patrícia Schuindt e Mariel Zampellin


Na R122, trabalhamos com desenvolvimento de pessoas, por meio de diferentes abordagens e, uma delas, é o Coaching.

Quando se fala da prática do coaching no Brasil, há muitas críticas (e não sem razão), já que existe uma grande banalização e situações de “promessas milagrosas instantâneas” que alguns “Coaches” fazem. Isso tem levado a um aumento da aversão ao Coaching e até mesmo gerado comportamentos de violência verbal e depreciação sobre “ser coach”.

E há uma diferenciação básica que não tem sido respeitada por alguns “profissionais do Coaching”, que tem a ver com o limite da abordagem e foco em suas reais potencialidades. Em que situações o Coaching é realmente o mais indicado? Em que situações deve-se buscar outros tipos de profissionais, por exemplo, um Psicólogo?

Por atuar também como Psicóloga clínica e ter vários colegas psicólogos que trazem esse tema, a Mariel, da R122, me convidou para bater um papo e me fez várias perguntas interessantes, que decidimos compartilhar também formato de texto. Acompanhe abaixo!

Falando especificamente dos “coaches” que têm oferecido cura para depressão, ansiedade e outras questões de saúde mental, entendemos como mais que necessário esclarecer neste texto quais são as diferenças nas abordagens, trazer exemplos de quando procurar um coach ou um Psicólogo e também explicar um pouco mais sobre o “Coaching Raiz”, o verdadeiro Coaching.

Tanto para que profissionais da área da Psicologia e saúde humana compreendam mais sobre o verdadeiro coaching e para as pessoas em geral, que buscam auxílio, seja pessoal ou profissional, tenham mais clareza do que considerar sobre o assunto.

Mariel: Como saberei se preciso de Coaching ou terapia?

Alguns exemplos, não exaustivos, para buscar psicoterapia:

  • Quando sentir que não tem conseguido lidar sozinho com emoções e situações atuais (descoberta de uma doença, divórcio, morte de alguém importante, sobrecarga no trabalho);

  • Quando você se sente em desequilíbrio;

  • Excessiva necessidade de fugir do passado ou dificuldade de lidar com coisas que ocorreram;

  • Hostilidade, raiva, ira desproporcionais;

  • Sinais de depressão, ansiedade, irritação frequente.

Alguns exemplos, não exaustivos, para buscar Coaching:

  • Você quer desenvolver alguma competência para realizar melhor o seu trabalho (liderança, comunicação, planejamento, gestão de pessoas, relacionamentos);

  • Quer planejar sua carreira, pensar em outros passos profissionais, saber que caminhos seguir;

  • Tem como objetivo alcançar uma mudança de comportamento;

  • Quer alcançar um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal;

  • Está em ascensão profissional e precisa acelerar seu desenvolvimento (por exemplo, acabou de assumir um cargo de liderança, ou tem a possibilidade de crescer na estrutura de sua área).

Mariel: Se alguém já está fazendo terapia, pode fazer Coaching? Se sim, como o Coaching pode complementar?

Sim, com certeza. Se você tem condições de fazer os dois, podem ser complementares em dado momento. Na terapia, você trabalhará de forma mais profunda e global sua vida. No coaching, você definirá pontos de avanço com objetivos específicos mais estruturados.

Mariel: Já vivi situação em que perguntei algo para coachee e ela me disse que a psicóloga tinha perguntado a mesma coisa. Veio uma sensação então "eu que estou fazendo papel de psicóloga ou a psicóloga está fazendo papel de coach?"

Patrícia: Pode ocorrer, porque nas duas abordagens há a escuta do que a pessoa traz e surgem questionamentos nessa direção. Se a pessoa leva o mesmo assunto nos dois lugares, isso pode ocorrer, porque partimos desse entendimento sobre a pessoa, seu contexto e sobre o ser humano. Já aconteceu de eu estar no papel de coach e a pessoa dizer isso: “minha psicóloga disse a mesma coisa / ou perguntou a mesma coisa”, o que reforçou como algo central a ser pensado. E aí a pessoa pode seguir de formas diferentes em cada abordagem a partir dali, ou mesmo identificar se naquele momento pode ser mais adequado seguir com coaching ou com a terapia. Um profissional capacitado, irá ajudar o paciente / cliente a pensar sobre isso.

Mariel: Coach precisa estudar algum conteúdo de psicologia para ser coach?

Patrícia: Sem dúvidas, quem se propõe a ser coach precisa estudar, e muito, sobre temas de desenvolvimento humano. As formações em coaching normalmente trazem conteúdos neste sentido e cabe ao profissional aprofundar, estudar, entender e nunca termina. Além disso, é bacana trocar ideias com outros profissionais, ter supervisão, mentoria, novos cursos...a capacitação como pessoa e profissional não termina nunca.

Mariel: Qual é a diferença entre Coaching e Psicologia? E na prática, como diferenciar as atuações?

Patrícia: A Psicologia é a ciência que estuda o comportamento humano e seus processos mentais. É uma construção teórica e metodológica sobre o ser humano em sua relação com o mundo. Existem diferentes abordagens e o profissional estuda por 5 anos para obter sua graduação em Psicologia.

Uma das possibilidades de atuação profissional é na Psicologia Clínica. O Psicólogo que atua nessa área, recebe demandas de pessoas que procuram suporte profissional para:

  • Lidar com questões de adoecimento mental, principalmente, relacionados à depressão, ansiedade e crises de pânico;

  • Lidar com conflitos familiares;

  • Trabalhar aspectos da sexualidade;

  • Obter autoconhecimento e aprendizados, por exemplo, sobre como se posicionar e se desenvolver no trabalho;

  • Para encontrar bem-estar e saúde emocional em geral.

Esses são alguns exemplos de demandas nas quais o Psicoterapeuta pode atuar.

Agora, explicando sobre o Coaching, vamos trazer um pouco da referência que temos, como R122, a respeito desse mercado e depois apontar para um estudo mais acadêmico, para ampliar a visão.

O Coaching não é uma profissão regulamentada e que possui uma entidade profissional única (por exemplo, como a Psicologia tem o “Conselho Federal de Psicologia”).

Mas das diversas organizações e associações de Coaching no mundo, nós escolhemos a International Coach Federation (ICF) como padrão de prática. A ICF é a maior associação global e possui um Código de Ética e competências fundamentais definidas para que quem deseja ser Coach possa se capacitar realmente e atuar de forma séria e técnica. Alguns dos passos fundamentais para obter a credencial consiste em passar por Mentoria com um Coach mais experiente. Além disso, a credencial requer renovação a cada três anos, para que o profissional demonstre atualização e desenvolvimento contínuo em sua atuação.

Esse credenciamento citado tem três níveis:

  • Associate Certified Coach (ACC)

  • Professional Certified Coach (PCC)

  • Master Certified Coach (MCC)

Cada nível se refere à uma quantidade de horas de capacitação específica em treinamentos e horas de atendimento em Coaching.

Veja que para ser um Master Certified Coach, é necessário ter no mínimo 200 horas de treinamento específico, 2.500 horas de experiência em Coaching e acerto em 70% em uma avaliação de conhecimento padrão. (detalhe que para algumas instituições no Brasil, para se intitular “Master Coach” é algo que requer pouquíssimas exigências, como fazer apenas um curso de Master Coach Mas sabemos que ser mestre em algo não é da noite para o dia, certo? E que não é algo que se adquire só por conhecimento...exige habilidade e atitude).

Mais detalhes: https://www.icfbrasil.org/credenciamento-individual

Ou seja, um Coach que preza pelo selo de qualidade da ICF tem degraus a subir constantemente em sua capacitação e transformação pessoal.

E conectando isso ao tema deste artigo, uma recomendação da ICF para os profissionais é sobre o encaminhamento de clientes a outros profissionais de apoio, conforme apropriado.

Então, um coach que é capacitado com base nesses padrões internacionais, entende que Coach não trata de saúde mental!

Agora, aqui entra o ponto-chave: não é possível afirmar que pessoas que se autodenominam Coaches ou que fizeram outras formações não certificadas, tenham essa maturidade e esclarecimento. Inclusive, como citamos, é comum esses “profissionais” atraírem pessoas dizendo oferecer a cura para problemas de saúde mental. E quem não quer se livrar do sofrimento mental de forma rápida? Sempre terão pessoas acreditando e que por não encontrarem o tratamento adequado, podem ter o quadro agravado.

Uma vez uma pessoa me procurou para fazer um Coaching, dizendo que queria trabalhar com o Coaching a respeito de seus negócios. Ele falou que tinha diagnóstico de depressão e estava tomando remédios, fazendo acompanhamento com Psicólogo e Psiquiatra. Mas que foi a um curso de Coaching e descobriu que o poder estava totalmente em sua mente e, por isso, resolveu deixar seu tratamento de lado e focar no Coaching. Minha recomendação foi muito clara – que procurasse se cuidar novamente de forma assistida por profissionais em suas questões de saúde mental.

Como comentei, a referência da ICF é um bom caminho para quem busca entender o que é o Coaching, uma atuação técnica, que segundo a definição da ICF:

“É uma parceria com os clientes em um processo instigante e criativo que os inspira a maximizar seu potencial pessoal e profissional”.

O processo de Coaching não é tratamento, mas é desenvolvimento.

E já que o mercado de Coaching é tão diverso, com diversas escolas, com metodologias e referências diferentes, busquei algo que trouxesse uma visão mais ampla. E compartilho aqui a recomendação do artigo: “Desvendando o Coaching: uma revisão sob a ótica da Psicologia” (artigo de uma importante revista de Psicologia – “Psicologia: ciência e profissão”).

Link para baixar: http://www.scielo.br/scielo.phpscript=sci_abstract&pid=S1414-98932018000200363&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

Em um trecho dessa revisão que fizeram, os autores identificaram pontos comuns no que se chama Coaching:

“(Coaching) lida com o desenvolvimento pessoal e desempenho dos indivíduos, além de ter o foco no alcance de metas claramente estabelecidas.”

“Coach como alguém que facilita o processo de aprendizagem e aprimoramento do desempenho”.

Lá eles trazem uma comparação de diferentes linhas e essência do Coaching.

Mariel: Então, diante de tudo isso o que podemos estabelecer de pontos comuns e de pontos diferentes?

Patrícia: Na atuação do Psicólogo ele pode trabalhar com cuidados de saúde mental, na prevenção e tratamento, ajuda a pessoa na busca por saúde mental e emocional e no bem estar. A pessoa pode procurar um psicólogo para isso, mas também para se conhecer, potencializar...de forma profunda e abrangente.

No coaching, não há tratamento de questões de saúde mental, ansiedade, depressão e outras questões que são do campo da psicologia e não do coaching. Mas o coaching pode servir (e muito) para quem busca se conhecer, tomar decisões na c

arreira e mudar comportamentos na vida pessoal e profissional. Normalmente, trabalhamos com demandas voltadas ao desenvolvimento de Competências e obtenção de objetivos específicos.

Finalizando, nós da R122 esperamos que este texto tenha servido para esclarecimentos e reflexões, porque acreditamos totalmente na importância de munir as pessoas com informações para que façam boas escolhas e não sejam enganadas por profissionais com práticas indevidas. Estamos à disposição para conversar e esclarecer, para que o mercado do Coaching possa crescer de forma coerente e embasada por melhores práticas, sempre focando na transformação e cuidado com as pessoas.

PS.: Um agradecimento especial ao meus amigos Júlio César Silveira (São Paulo) e Tânia Marques Carregari (Batatais), que disponibilizaram seus conhecimentos e experiências em Psicologia em uma troca para pensar sobre o tema!

#Coaching #coach #ICF #Psicologia

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