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Como o cérebro lida com incertezas. Por Juliana de Lacerda Camargo


Existem 3 funcionamentos constantes, inconscientes e automáticos do cérebro que são bastante básicos e nos impactam de diversas formas, a maioria das vezes sem nem nos darmos conta. São eles:

· O cérebro busca se proteger das ameaças, respondendo no movimento “fight or flight” (em português utilizado como “bater ou correr”).

· Busca se aproximar de e maximizar as experiências que proporcionam a sensação de recompensa.

· Busca, ainda, poupar energia sempre que pode (ele representa menos de 2kg e consome cerca de 20% da nossa energia).

É curioso falar do cérebro dessa forma, usando aquela figura de linguagem que aprendemos na escola – a prosopopeia – ‘ele sente, ele faz, ele acontece’... Mas, por mais estranho que pareça, é realmente assim que funciona, pois grande parte das decisões que tomamos são consequência desses movimentos automáticos que escapam a nossa consciência.

E, dentre as ameaças que geram a sensação de ameaça e uma resposta automática está a incerteza! O cérebro detesta quando ela acontece!!!

Veja, incerteza pressupõe que algo não pode ser previsto com segurança, o que impacta em não saber se aquilo que não conseguimos prever representa algum risco ou ameaça. Como nosso cérebro busca nos proteger a todo instante, acaba gastando muita energia em cenários incertos, pois será inevitável procurar incessantemente prever e controlar os possíveis resultados futuros.

É por isso que nos sentimos tão desconfortáveis e cansados quando lidamos com relacionamentos incertos, respostas que demoram a chegar, cenários turvos, grandes mudanças – especialmente as não geradas por nossa escolha. Aliás, na data que escrevo este texto, por exemplo, estamos em pleno isolamento pelo COVID-19, um momento incerto do ponto de vista de saúde, economia, e mesmo do convívio social, o qual é tão importante para o funcionamento do ser humano; e tudo isso num cenário não escolhido por nós. Há bilhões de cérebros estressados no mundo enquanto escrevo...

Quando nos sentimos assim, tendemos a ficar mais reativos, mais agressivos e/ou mais amuados. Quando o cérebro está estressado, somos mais dominados pelas emoções e ficamos menos aptos a exercitar eficientemente nossas funções executivas, as quais envolvem o planejamento, tomada de decisão, análise linear, raciocínio lógico, inibição de impulsos, etc. Isso é comum para mim, para você ou qualquer pessoa. Mas, apesar de ser normal, é daquelas coisas que, quando passamos a conhecer, temos a opção de escolher como lidar – seja quando percebemos em nós, ou nos outros. Assim, se até agora isso tudo era novidade para você e portanto não havia o que fazer, agora você sabe e pode escolher como quer agir e reagir daqui para frente.

Afinal de contas, se hoje lidamos com um cenário específico que uma hora passará, muitas outras mudanças e incertezas acontecerão na vida e afetarão você e pessoas ao seu redor. Talvez um processo de fusão e aquisição na organização que você trabalha; ou uma mudança visceral na cultura que você está tão acostumado; uma questão de mudança pessoal; alguém com quem você se importa muito que adoece... enfim, tudo aquilo que gerar incerteza e insegurança com relação ao futuro em coisas relevantes, bem como os melhores cursos de ação para maximizar ganhos e minimizar perdas. É inevitável... essas coisas acontecerão.

Traduzindo tudo em miúdos, a questão é bem simples: toda vez que existem incertezas, todo mundo fica a flor da pele! E, apesar de isso ser meio óbvio, é importante entendermos que existe algo fisiológico por trás das nossas reações e de outras pessoas, e daí comportamentos mais reativos e/ou defensivos. E, quando entendemos isso e também entendemos que para cada pessoa os significados, valores, incertezas e medos serão diferentes, podemos exercitar uma empatia maior e não levar as coisas para o lado pessoal, adotando voluntariamente uma postura mais empática, cuidadosa e generosa... seja conosco mesmo ou com o outro, em prol de aumentar alianças e produtividade em tempos que, apesar de incertos, uma hora passarão.

Pois é. Essa é uma dica para lidar não somente com o tempo presente, mas também com qualquer mudança no futuro – seja na sua vida, ou que você perceba acontecer com pessoas que o afetam de alguma forma. Com certeza os processos serão mais facilmente atravessados e os resultados muito melhores!

É isso aí.

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