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Diversidade na tomada de decisão. Por Juliana de Lacerda Camargo


Já parou para perceber como é difícil conviver e produzir com pessoas que têm funcionamento diferente do nosso? Não é incomum acharmos que o que é diferente é errado... aliás, mais ou menos, pois depende do nível de pressão e visão macro que conseguimos exercitar em dado momento. Assim, quando existem reflexões conceituais e amplas sobre pessoas e ambientes coletivos, o natural é que se entenda que pessoas são diferentes. Mas, experimente ser pressionado para algum resultado e depender de alguém que funciona diferente de você para atingi-lo. Até já pensou no drama, não é?

Pois é. Costumo brincar que esse é um tipo de diversidade que geralmente não consideramos em nossa lista, mas deveríamos! E imagine quanta distração e impacto negativo na produtividade isso pode gerar. Inclusive temos um workshop que trabalha diferenças justamente para ajudar equipes a perceberem suas diferenças e aprenderem a atuar de forma mais sinérgica, focando nas alianças e produtividade. Afinal, quando acho que o diferente é errado, vou tentar mudar a pessoa a todo custo, tirando o foco de estratégias de atuação mais eficientes e eficazes. Por outro lado, quando entendo que não existe certo errado, mas apenas o diferente, posso aproveitar para aprender novas formas de atuar, bem como ter bons modelos para buscar desenvolver habilidades que me são menos naturais.

E, dentre essas diferenças e suas inúmeras causas e efeitos, há um ponto específico que abordo neste texto, que é a diversidade existente na forma de tomada de decisão entre pessoas mais analíticas e mais intuitivas.

Para fins de compreensão, aqui estou falando de personalidades e preferências naturais, e não o que pode ser desenvolvido como habilidades, ok? Falo mais sobre isso mais adiante.

Além disso, também trago como base a explicação sobre a diferença entre circuitos ascendente e descendente do nosso cérebro (ou sistemas 1 e 2). O circuito ascendente é aquele que trabalha de forma automática, constante e inconsciente. Ele trabalha o tempo todo captando informações, julgando o que capta e processando conclusões a partir das conexões automáticas que faz versus memórias e registros que o cérebro já possui. Já o circuito descendente é intencional, consciente e gasta uma energia tremenda para funcionar. É a partir da utilização desse circuito que analisamos, planejamos, decidimos, inibimos impulsos, focamos, etc.

Sobre os perfis na tomada de decisão, pessoas mais analíticas tendem a ser um pouco mais introvertidas (não é regra!) e ter bastante conforto com detalhes, dados e fatos. Também às vezes levam mais tempo para tomar uma decisão, por buscarem ter a certeza de que tudo foi coberto, compreendido, acessado e analisado. Para elas não existe espaço para o improviso e nem para conclusões infundadas e a utilização do circuito descendente é bem evidente (o ascendente sempre trabalhará também).

Por outro lado, pessoas mais intuitivas se apoiam mais no circuito ascendente, fazendo rápidas conexões e tirando conclusões com poucas informações, uma vez que contam com o que já sabem e as ‘sensações’ que têm a respeito das situações. Elas tendem a ser mais extrovertidas e a preferir captar informações por meio de interação e prática.

Agora, imagine uma cena em que um gestor é altamente intuitivo e seu líder mais analítico? Quantas informações detalhadas esse líder pedirá ao gestor, que por sua vez poderá se sentir ofendido, vez que tem convicção de suas percepções? Pois é... enquanto esses dois acharem que o jeito do outro é errado, vai haver muita tensão e distração nessa relação! No entanto, imagine se esse gestor mais intuitivo lembrar que por vezes a impulsividade e a pressa podem levar ao erro, enquanto o líder mais analítico lembrar que em muitas situações haverá a necessidade de decisões rápidas e baseadas em poucas informações? Imagine se nesses casos eles se lembrarem que um pode contar com os recursos do outro, tanto para as situações pontuais, como para aprenderem novas habilidades? O cenário muda totalmente!

Essa é justamente a intenção desse texto! Trazer esse tipo de transformação!

Quando falamos das diferenças não há nenhuma intenção de gerar rótulos. Pelo contrário! Estamos abordando processos naturais e preferenciais para diferentes indivíduos que não são certos ou errados a priori e que podem ser complementados por habilidades desenvolvidas. Pessoas mentalmente saudáveis sempre podem desenvolver habilidades, mesmo que não representem suas preferências naturais. Por exemplo, posso preferir o improviso e a espontaneidade, mas aprender a me planejar para ser mais capaz de exercer minhas funções. Isso é bom e deve ser feito.

Mas importante lembrar que o melhor lugar é aquele em que sabemos aproveitar o que nos é natural e favorável e sabemos como maximizar esses aspectos. E, quando percebemos o diferente, tanto podemos ser mais inteligentes para lidar com ele, como ter os modelos para desenvolver o que for realmente necessário.

E você? Como pode aplicar essas reflexões a partir de agora para criar ambientes mais sinérgicos e produtivos?

É isso aí.

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