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O que será depois? Por Juliana de Lacerda Camargo


Com a realidade criada pela COVID-19, muitas pessoas têm lidado com questionamentos mais profundos e existenciais e não tem sido incomum escutarmos até mesmo formadores de opinião falarem sobre o que é verdadeiramente importante e como será o tal do ‘novo normal’. E porque sou especialista em lideranças, acabei recebendo questionamentos sobre como acredito que será a cultura e os comportamentos quando tudo isso terminar.

Com base nesses questionamentos resolvi escrever esse texto pensando não somente no momento atual, mas em toda situação que nos tira da zona de conforto e nos leva a experimentar novas realidades... como uma pandemia, uma guerra, uma crise macroeconômica, ou situações muito mais individuais como uma mudança na estrutura familiar, uma prioridade que surgiu, um período de finanças mais apertadas, entre tantas outras possibilidades.

Assim, a ideia é responder à pergunta: como uma fase como a que vivemos pode nos transformar como indivíduos e como sociedade?

Claro que não me proponho a trazer nada exaustivo, pois seria muita presunção. E também não me proponho a dizer verdades absolutas, mas possibilidades baseadas no que conheço do comportamento humano e da neurociência, deixando ao leitor a aplicação prática dessas reflexões.

Bem... sempre que vivemos uma nova realidade, há um reajuste de valores e prioridades a partir de como somos afetados e como afetamos pessoas e contextos. E porque o novo gera ajustes, esses ajustes vão levar a mais ‘novos’, que podem ser melhores, piores ou equivalentes àquilo que se conhecia anteriormente. Quando essa nova realidade é permanente, os ajustes e ‘novos novos’ tenderão a se tornar a normalidade à qual nos adequaremos até que venha algo para nos sacudir mais uma vez...

Por outro lado, quando essas situações são temporárias (como esperamos que seja a questão da COVID-19), o cérebro nos mostra que há pelo menos três grandes possibilidades ‘quando tudo terminar’. E para isso lembro de alguns funcionamentos que temos na cachola:

1. Nosso cérebro automatiza tudo que pode por questões metabólicas, o que significa dizer que, quanto mais tempo durar uma dada situação e mais tempo repetirmos determinado comportamento, há a tendência à automatização e, portanto, a criação de novos hábitos que passarão a ser confortáveis e naturais.

2. Nosso cérebro também tem como padrão a busca pela aproximação de tudo que gera a sensação de recompensa. Assim, quando alguma coisa nos dá prazer há liberação de dopamina, entre outras reações físico-químicas que nos levam a querer repetir aquela experiência com consistência, também nos levando a novos hábitos e automatizações (vícios também entram aqui).

3. Por último, nosso cérebro busca repelir tudo que dá trabalho, pelos mesmos motivos metabólicos que o levam à automatização. Por isso tendemos a ‘deixar para depois’ quando temos de nos focar e/ou esforçar para algo que não nos gera a sensação de prazer ou sentido de ganho imediato. Conhece isso? Pois é...

É com base nesses três fundamentos que coloco minha posição sobre como as pessoas podem sair de situações como a que vivemos hoje. Aliás, haveria mais pelo menos outro aspecto para ser analisado (como o cérebro lida com ameaças), mas para esse contexto talvez não tenha tanta relevância, pois estamos falando dos hábitos que permanecerão. Assim:

1. Aquelas mudanças e ajustes que forem consistentemente repetidos até a automatização tenderão a continuar fazendo parte da nossa vida quando o cenário temporário acabar.

2. Se a nova realidade tiver trazido novas percepções de ganho e novas experiências prazerosas e recompensadoras, essas também tenderão a fazer parte da cena quando a crise passar.

3. Mas... aquelas reflexões mais existenciais, as escolhas pelo significativo, o valor, o profundo... bom, como a priori requerem mais trabalho, mais tempo, mais reflexão e mais profundidade, a tendência é que possam ser substituídos pelo que será mais fácil, prazeroso e automático no futuro... Assim, infelizmente se esses pensamentos e prioridades não forem intencionalmente nutridos quando a vida voltar ao ‘automático’, é possível que a transformação que tanto desejamos perca novamente a oportunidade de acontecer...

O que se conclui disso, então? Que uma situação como a que vivemos hoje pode, sim, gerar mudanças nos nossos comportamentos (internos e externos), mas talvez tenhamos de ser mais intencionais para gerar aquelas transformações que realmente desejamos que aconteçam... mas que nos demandam muito mais esforço.

Assim... rumo para o final dessa reflexão com uma proposta para o momento presente ou qualquer outro que venhamos a viver no futuro. Talvez, ao invés de tentarmos prever o que acontecerá com as pessoas e culturas quando o furacão passar, será que não vale a pena sermos protagonistas e intencionais para colaborar com a construção dessa nova realidade... desse novo normal? E pode ser que essa provocação caiba para hoje... mas também para outras situações que venhamos a viver no futuro.

É isso aí.

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