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Sobre decisões difíceis: persistir ou "desistir"​? Por Patrícia Schuindt

Atualizado: Ago 13

“Desistir” nem sempre é algo ruim. Às vezes, deixar algo para trás é a melhor decisão que podemos tomar: quando permanecer onde estamos e fazer o que fazemos não faz mais sentido para nós!


"Se você está no caminho errado, voltar atrás significa progresso”. C.S. Lewis


Hoje quero falar sobre a decisão que considero ter sido uma das mais difíceis para mim até hoje em minha carreira.


Meu intuito é ajudar você a pensar sobre permanecer ou não em algo que traz aquela incerteza de estar no caminho certo. Quando bate uma angústia. Será?


Será que devo continuar nesse caminho?


Em muitos casos, a insatisfação é evidente, mas sinceramente - é tão difícil assumir. Melhor continuar como está!


Será mesmo?


Quando nos deparamos com essas questões, o que precisamos fazer, minimamente, é usar todos os recursos que temos para chegar a uma tomada de decisão consciente, bem pensada e trabalhada.


Afinal, as consequências das nossas decisões virão. Por isso é preciso considerar os elementos certos e não ser impulsivo ao agir. Precisamos usar nossos recursos mentais de forma mais inteligente possível e acionar recursos externos que facilitem o caminho. Como fazer isso?


Quero compartilhar com você uma situação que vivi e evidenciar alguns elementos que considerei para chegar a uma decisão que considero ter sido realmente a melhor naquele momento. 


Era 2015 e nasceu um desejo em meu coração. Em minha prática de Coaching, percebia os avanços das pessoas no autogerenciamento emocional e pensei: como seria fazer um estudo sobre isso no mestrado? Observar como as pessoas começam e como terminam um processo de coaching, do ponto de vista da inteligência emocional. Queria verificar de forma científica e não só observar o que ocorria na prática. Fiquei muito energizada com a possibilidade e daí por diante, mergulhei na ideia e segui com foco total o processo de preparação para que desse certo realizar esse sonho.


Costumo dizer que esse momento do pré-prova foi um "mini-mestrado", porque foram muitas horas, dias, meses me preparando para passar na prova e internalizando esse mundo acadêmico. Fiz aulas particulares de inglês, organizei meus estudos para ler e apreender todo conteúdo da lista de livros, segui o processo de construção do projeto de pesquisa, com todas aquelas chatices de referências bibliográficas e normas acadêmicas, mas com ajuda de pessoa experientes, consegui. Foram muitas complicações que surgiram entre hipóteses de pesquisa, instrumentos de medição e metodologia. Mas, ficou tão lindo o projeto! Sabe quando você sente que se superou e sente uma satisfação por ter conseguido? Foi assim que me senti!


Chegou o dia da prova. Depois, veio a classificação e o resultado: passei no mestrado na UNESP, em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Teria a orientação de uma professora com renome internacional, a qual admirava em uma proporção gigante. Que sonho! Uma nova fase, um título importante...Contei para as pessoas, que vibraram comigo! O ápice de uma conquista desejada, um novo salto em minha carreira.

Mas...De repente, comecei a sentir que não era esse o caminho...


Conforme chegava o momento de efetivar a matrícula e começava a me organizar para viver aquela experiência, vieram as dúvidas, angústia...


Comecei a entender a realidade prática daquilo que sonhei e como seriam os próximos dois anos, efetivamente, considerando tudo que já fazia, bem como aspectos da vida pessoal. Montando a equação, não caberia tudo! Precisaria abrir mão de projetos correntes, do modo de viver que eu tinha ou de outros aspectos de minha vida. Valeria a pena? Era isso que eu realmente queria? Meu coração estava me dizendo que não...Mas isso era um absurdo. Como assim? Depois de tudo, não seguir?


Meu maior questionamento era se seria a melhor escolha. Dizer não naquele momento, era associado a uma perda de uma grande oportunidade. Parar por ali seria um "contra fluxo". Ter um mestrado é algo maravilhoso do ponto de vista de crescimento profissional. Eu sempre apreciei e reconheço um valor grande nisso. Além disso, há pessoas que conciliam o trabalho e o mestrado. Por que eu não poderia? Eu devia estar enganada em minhas intuições e pensamentos! Precisava enxergar de um jeito diferente, como um estágio necessário. É assim que vejo diante de grandes desafios: ao passar por algo desafiador, sairmos mais fortes e capazes!


Mas qual era a questão em si? O que estava pegando, de fato? Afinal, dedicação e superação era algo que fazia parte da minha forma de pensar e viver. Notei que havia significados escondidos, mais profundos, que não estava conseguindo esclarecer. Segui minha intuição de que era momento de refletir melhor e procurei ajuda. Conversei com pessoas, fiz sessões de Coaching, mergulhei na realidade interna e descobri que a minha resposta era não seguir. Como foi difícil assumir isso! Mas, ufa! Consegui.

Engraçado que até hoje quando escrevo para vocês, me vejo querendo explicar essa decisão, tentando trazer justificativas compreensíveis e tudo que fez sentido para mim. Mas nada do que eu diga poderá explicar minhas motivações e questões internas, associadas ao meu plano de vida e carreira.


Mas tudo bem, quem precisa se convencer de uma decisão, somos nós mesmos. E foi isso que aconteceu! Lembro de um diálogo com uma amiga e quero compartilhar aqui...

- Patty, você desistiu do mestrado?

- Não desisti.

- Mas está fazendo mestrado, então?

- Não, eu escolhi não seguir, isso é diferente de desistir!


Desistir para mim é uma palavra que traz significado negativo, um peso. Alguém que desiste de algo parece ser passivo, parou no caminho que queria seguir. E não foi isso que ocorreu!


Por isso eu trago meu próprio significado sobre “desistir”, entre aspas, desde o começo desse texto. Escolher não seguir algo é diferente de desistir. Eu escolhi outras coisas. Abri mão de algo para viver outras experiências e me capacitar de outras maneiras. Escolhi a forma como queria viver, que tipo de trabalho queria que ocupasse meu tempo, como queria equilibrar outros aspectos da minha vida naquele momento, que não somente os profissionais.


Minha mensagem com esse texto é essa: que os caminhos que a gente decidir seguir sejam aqueles guiados por escolhas com sentido pra gente e não uma persistência sem uma razão forte para prosseguir.


Só assim encontramos a realização pessoal. É preciso seguir uma jornada em que somos de fato protagonistas das escolhas e das ações. E isso conta com o fato de dizer não e interromper aquilo que não é de fato o que te levará para onde quer ir.

De alguma forma ou de outra, todos nós podemos encontrar isso.


Qual é o caminho? O que é preciso considerar para tomar boas decisões? 


Ao longo da minha história, tenho buscado analisar alguns elementos e também acompanho pessoas em suas descobertas.


Um primeiro passo é mergulhar em processos de reflexão e autoconhecimento. Perceber quem somos e assumir de fato o que queremos construir, considerando também a realidade do mercado, oportunidades e pensando não somente no curto prazo.


Se você está em momento de se questionar sobre “desistir” ou não de algo, pare para pensar:

  • O que você perde e o que você ganha em continuar no caminho em que está? Como isso fica na balança do que você quer e valoriza?

  • O que você gostaria de viver nos próximos meses, anos. E por qual motivo?

  • Que decisões e ações te levarão para lá?

Um ponto de atenção aqui é sobre não desistir porque está difícil. Sempre que damos um passo para um próximo nível, o desafio aumenta. A decisão de mudar precisa ter motivos maiores, conectados a propósitos e o que se espera como resultado. Se algo está difícil e pensa em desistir, mas continuar é o que você quer de fato, procure ajuda para enfrentar as dificuldades.


No caso que citei, o que pesou não foi a dificuldade em si, mas o conjunto da obra. Dois elementos me fizeram mudar os rumos...


Um primeiro, é que eu imaginava uma quantidade de horas de dedicação e uma conciliação possível com outros papéis que já exercia. Mas ao seguir para a realidade, a quantidade de tempo a ser destinada para fazer um bom trabalho no mestrado, seria muito maior. O projeto tomou proporções maiores, porque para ter validade científica de minha hipótese, precisaria de estudo experimental, com grupo controle. Isso demandaria muito mais tempo do que imaginava no início, quando decidi fazer o estudo. Outro elemento, é que eu me vi descobrindo que naquele momento não queria ser uma “cientista” lá na ponta, executando aquelas tarefas necessárias, minuciosas da pesquisa. O que eu queria de verdade, era usar o conhecimento científico em minha prática profissional, o que se consolidou como uma missão: tornar conceitos acadêmicos e estudos relevantes científicos em realidade acessível para as pessoas.

E isso eu só descobri me lançando à experiência. Por isso, considero que para tomar boas decisões, precisamos dar passos para “tocar a realidade”.


Talvez se eu nunca tivesse mergulhado nessa história, eu ficaria com uma idealização e sensação ilusória de que era tudo que eu queria. Acho bonito, nobre e incrível. Mas agora sei que não sou eu a pessoa a realizar esse tipo de pesquisa. Talvez outra pesquisa, em outro momento? Pode ser. Quem sabe? Não sei.


Conectado a isso, outro aspecto que considero fundamental para tomar boas decisões, é ter clareza de nossas forças, interesses, paixões. Precisamos investir em ações e nos ocupar com atividades relacionadas a essas descobertas. Ir por esse caminho será um fator importante de motivação e produtividade, logo, teremos mais chances de ser bem sucedidos no que nos propusermos a fazer.


Por fim, precisamos olhar para nossa vida e pensar de forma mais ampla, profunda e sincera:

  • Que histórias eu gostaria de contar daqui a 5, 10 anos? O que gostaria de ter vivido? Que conquistas seriam relevantes para mim?

  • Observe o que valoriza em sua vida e seu trabalho. Como traduzir isso em ações diárias?

  • As minhas escolhas profissionais têm sido pautadas em quais critérios? São escolhas minhas ou tenho seguido um caminho para agradar ou impressionar outras pessoas?

Esse último ponto foi uma das partes mais difíceis para mim. Como eu iria explicar para a minha orientadora, alguém que tanto admirava e tinha consideração? Eu prejudicaria pessoas ao não seguir? Como eu contaria para meus amigos e família? Algo que busquei fazer o mais rápido que pude, foi informar a instituição para que outra pessoa da lista de espera pudesse fazer a matrícula e espero que essa pessoa tenha aproveitado muito!


Para fechar...Parando para pensar no que ocorreu depois e como avalio minha decisão, me sinto bem. Nesse tempo que passou, muitos outros projetos nasceram. Realizei outros sonhos que tinham significados. Não só profissionais, como meu curso online sobre carreira, meu e-book sobre sair do automático, o início dos atendimentos como Psicóloga Clínica e a continuidade de minha atuação como Coach e com treinamentos, além dos projetos sociais que fazia parte e não queria abrir mão. Mas também vivi experiências pessoais, por exemplo, ser mãe. E que experiência! Uma transformação gigante que me fez crescer de uma forma única.


Toda decisão consiste em abrir mão de algumas coisas e abrir espaço para vivenciar outras.


Bom, se você leu até aqui é porque busca respostas. Desejo que consiga acessá-las dentro de você de forma verdadeira, profunda e que tome decisões satisfatórias para você.


Seguimos aprendendo no caminho!


E caso não esteja conseguindo avançar sozinho, faça como fiz: procure ajuda. Especialmente pessoas que sejam neutras e estejam focadas em te facilitar na escolha e não a decidirem por você. Sucesso em sua jornada!


Texto escrito por Patrícia Schuindt, que é Psicóloga e Professional Certified Coach (PCC), credenciada pela ICF (International Coach Federation), e atua em processos de Planejamento de Carreira e Coaching de Líderes. Para falar com a Patrícia: pschuindt@r122.com.br

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