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Pensar positivo: a ciência por trás do mito, por Juliana de Lacerda Camargo

30 Apr 2015

 

“Pense positivo!” Provavelmente essa é uma das expressões populares que mais se escuta quando alguém deseja algo, ou passa por alguma situação estressante, e por aí vai.

 

O pensamento positivo é algo que se tornou místico, com a ideia de que, “se você visualizar algo com muita vontade, aquilo poderá se realizar”... afinal de contas, “vai atrair boas energias”.

 

Então... não é bem assim que as coisas funcionam. O pensamento positivo não é algo místico e nem deve sê-lo; ele é simplesmente... científico.

 

Nosso cérebro trabalha com trilhões de conexões acontecendo a todo instante. E tais conexões geram impulsos elétricos, liberam componentes químicos, e tudo isso impacta em nossas ações, que por sua vez causam reações no mundo que nos rodeia (lembre-se da regra básica na escola: toda ação gera uma reação).

 

Segundo David Rock (Coaching With The Brain in Mind – pg. 146, tradução livre), “a ciência por trás da visualização é essa: os caminhos que são usados no cérebro quando fazemos algo – por exemplo, jogar uma bola de basquete na cesta, são os mesmos utilizados quando simplesmente imaginamos essa atividade. Em ambos os casos, o córtex visual – a parte do cérebro que vê – é ativada. Como o uso de qualquer circuito fortalece esse mesmo circuito, ensaiar uma performance na imaginação pode preparar circuitos mentais de formas similares à performance real.”

 

Ou seja, ao “pensar positivo” sobre uma determinada situação, eu fortaleço circuitos neurais que ficam mais consolidados e portanto me preparam para lidar com a realidade, quando ela acontecer.

 

Além disso, toda vez que o cérebro se sente ameaçado, ele gera conexões que criam a famosa resposta bater ou correr, que por sua vez está relacionada a uma ativação de nossos sistemas cerebrais mais instintivos – nosso sistema límbico. Isso faz com que nossa energia “escape” de nossos sistemas conscientes, nos deixando, portanto, como que "menos inteligentes temporariamente". Em contrapartida, “pensar positivo” acalma a resposta bater ou correr e nos torna mais preparados para lidar conscientemente (ou pensar com clareza) quando uma situação acontece.

 

E, como toda ação gera uma reação... uma vez que eu estou mais preparado para lidar com uma situação (meus sistemas neurais estão mais consolidados) e eu tenho mais clareza para raciocinar quando ela acontece (meu sistema límbico não rouba a cena), minha postura, meu olhar, meu tom de voz, além do que faço, gerarão reações muito diferentes daquelas que aconteceriam se eu não tivesse “pensado positivo”.

 

Ou seja, pensar positivo é uma forma de trabalhar de maneira inteligente com seu próprio cérebro, e nada mais.

 

Então, a partir de agora, pense positivo, mas faça-o sabendo que você foi criado de forma perfeita e com sistemas eficazes para auxiliá-lo em seus próximos desafios.

 

É isso aí!

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