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Já que vou ser julgado mesmo… Por Juliana de Lacerda Camargo

9 Sep 2015

É interessante perceber as pessoas em seus mundos internos e ver quanto tempo elas gastam com o pensamento – consciente ou inconsciente – “o que vão pensar de mim”. E mais impactante ainda é perceber como esse pensamento norteia suas ações e reações, o que acaba gerando resultados muitas vezes diferentes do que se desejava.

 

Pode ser numa interação social, em que um adolescente busca ser visto como “descolado” para ser aceito; ou numa interação familiar, em que alguém busca gerar a impressão de que “é mais maduro”; ou no ambiente profissional, em que cada interação é uma oportunidade de se mostrar “forte, seguro e conhecedor”; ou o namorado que quer aparentar “independente”; e por aí vai.

 

Vejo as pessoas deixando de aprender, exercitar, se expor e avançar por se preocuparem com sua imagem e vejo muitas, muitas pessoas perdendo contato com sua verdadeira essência para poderem atender às expectativas que assumem existir sobre si – e como investem energia buscando adivinhar o que os outros pensam...

 

Mas... uma coisa que aprendi ao longo de minha vida é que nem todos têm expectativas como eu tenho, e nem todos são críticos ou julgam como eu... mas, que a despeito disso, sim, serei eventualmente julgada e lidarei com as mais diversas expectativas. E o pior é que esses julgamentos e expectativas virão de pessoas com mentalidades e funcionamentos totalmente diferentes de mim, o que me leva a uma conclusão: com certeza não tenho como prever e me preparar para as diferentes expectativas que me rodeiam; aliás, algumas delas nem me passarão pela cabeça!

 

Então, se o julgamento é inevitável em algumas situações e não há como prever as expectativas, será que existe qualquer garantia de que “parecendo isso ou aquilo” uma pessoa será aceita e aprovada por todos? Claro que não! E o mais curioso é que as pessoas que geralmente se conscientizam desse tipo de hábito chegam à conclusão de que não se entendem, nem se sustentam quando agem dessa forma.

 

Mas, e se você pudesse se desconectar um pouco do que os outros pensam e passasse a tomar suas decisões e fazer suas escolhas de acordo com sua verdadeira essência? E se a opinião dos outros valesse mais como input de dados, nortes e limites objetivos que serviriam de base para que você contribuísse com um ambiente saudável e produtivo e não para garantir sua aceitação? Talvez essa seja uma forma diferente e mais produtiva de sustentar suas decisões e escolhas, que lhe permitirá aproveitar a vida, experimentar e crescer, conforme o que faz sentido para você, e não tentando adivinhar o que faz sentido para o resto do mundo.

 

E com base nisso quero que pense aqui comigo o que o autoriza a avançar nesse sentido: já que o julgamento é inevitável, melhor ser julgado pelo que você verdadeiramente é, e não pelo que tenta ser.

 

É isso aí.  

 

 

 

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