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Não tenho tudo, mas tenho alguma coisa. Por Juliana de Lacerda Camargo

3 Nov 2015

 

Há uns dias uma coachee trabalhava em sua autoconfiança.

 

Para contextualizar, essa pessoa é uma empreendedora na área de serviços. Segundo ela, sua vida era mais ou menos assim: ou sofria porque os negócios não aconteciam, ou sofria porque eles aconteciam, mas ela se preocupava demais em não dar conta de entregar o que prometeu. 

 

Quantos de nós vivemos essa síndrome? Quantos de nós temos o medo de não entregar, não desempenhar, não “dar pra coisa”? E é curioso porque há uma oscilação muito comum nas pessoas: ou elas pensam ser mais, ou pensam ser menos. O pensamento geralmente é binário. Ou é, ou não é. Se não tenho tudo, então não tenho nada...

 

À medida que essa coachee avançava em seu pensamento, trouxe uma primeira reflexão: “Sou adulta. Passei por muitas coisas na vida. Tenho recursos; não sou totalmente desprovida...” E foi então que surgiu uma frase que gerou grande transformação: “É isso! Posso não ter todos os recursos; mas tenho recursos!”

 

As ações que se seguiram daí foram automáticas. Toda vez que ela se deparava com o sentimento de autodesconfiança, pensava que tinha recursos, talvez não todos, mas definitivamente não era totalmente incompetente ou incapaz para lidar com a situação. E com base nisso começou a se sentir melhor e se arriscar mais, sem tanto medo de “fazer feio”.

 

É incrível como as pessoas às vezes deixam até de se dar a chance de aproveitar oportunidades porque se sentem incapazes ou incompetentes. “Esse cargo? Não é para mim”; “Me chamaram pra discursar? Mas não vou saber falar em público”; “Ser o representante? Mas quem sou eu?”; “Eu?! Chama ele ou ela”...

 

Mas o que aconteceria se frases como a dessa coachee ecoassem pelas mentes das pessoas em geral? Ou frases alternativas como: “Posso não ter tudo, mas tenho algumas coisas”; “Posso não saber tudo, mas sei um pouco, ou o suficiente”; “Posso não saber fazer isso completamente, mas tenho alguma noção e posso desenvolver”?

 

Porque ter um pouco, ou ter alguma coisa, é muito melhor do que não ter nada. Não ter nada pra comer é diferente de ter algo pra comer. Não posso fazer pão sem farinha, mas posso fazer um pãozinho com um pouco... Não posso usar o computador sem energia, mas se tiver um pouco talvez dê pra começar algum trabalho que preciso entregar... Nada é diferente de um pouco... e o pouco muitas vezes é o necessário para se começar a caminhar...

 

Sabe, talvez esse pensamento possa se aplicar para mim mesma agora. Talvez eu não seja uma escritora experimentada; um C. S. Lewis ou uma Jane Austen da vida, mas eu conheço algumas coisas e tenho alguma experiência – aliás bastante. Tenho algumas coisas pra compartilhar com as pessoas... e certamente o pensamento dessa coachee me fez refletir. E, se fizer você pensar também, o pouco que tenho já valeu a pena.

 

É isso aí.

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