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Médico ou bandido? Por Juliana de Lacerda Camargo

18 Sep 2017

Como companhia, cremos demais na identidade das pessoas e no fato de que cada um tem um formato único e esse formato deve ser usado na sua máxima capacidade. Esse é um trabalho contínuo a ser conduzido ao longo de toda nossa vida: buscar quem somos/quem queremos ser, estabelecer novos alvos, distender nossos aprendizados, utilizar nossas forças a nosso favor – inclusive para compensar ou desenvolver o que não temos, e por aí vai.

 

Uma coisa que aprendi em meus estudos em neurociência é que nossa identidade vai sendo formada a partir das memórias que são consolidadas e passam a fazer parte de quem somos. Assim, apesar de termos preferências e aptidões naturais, ao longo da vida podemos desenvolver habilidades e alimentar nossa forma de ser e pensar. É mais ou menos aquela história de que ‘somos aquilo do que nos alimentamos’, sabe?

 

Uma de nossas missões corporativas é transformar indivíduos e organizações (e por isso usamos o #betransformed). E nessa transformação queremos ajudar as pessoas e grupos a descobrirem seu formato, decidirem o que querem construir – inclusive do ponto de vista de identidade, e se manter firme em seus propósitos.

 

É difícil entender esse termo transformação e refletimos constantemente sobre ele... até que chegamos a algumas explicações.

 

Uma delas é a própria água. A água tem uma composição essencial: H2O. Mas ela pode estar em diferentes estados, que são o líquido, o sólido e o gasoso. Isso é transformar, sem alterar a essência.

 

Outro exemplo importantíssimo para transformação está no uso do bisturi. Um bisturi é um bisturi – aqui, na China ou na lua. É um instrumento cortante e preciso, feito de metal e apto a cortar órgãos humanos como manteiga.

 

O bisturi, por si só, não é bom nem mau. Ele simplesmente é... com suas características naturais. Agora, dependendo de quem está por trás do bisturi, ele terá um impacto totalmente diferente – já dissemos isso em outro post. Se um médico usa um bisturi, as intenções por trás daquele formato único são boas, os propósitos são claros e a habilidade treinada para chegar naqueles objetivos. Mas... se quem detém o bisturi é um bandido... bom... os resultados podem ser desastrosos! Seja pela intenção, pelo treino, pelos propósitos... a tendência é que o bisturi (que em sua essência não é bom nem mau) atinja alvos muito negativos.

 

Assim como a água e o bisturi, temos nossa própria essência; e é possível usar essa essência de diversas formas, sendo necessária a transformação para que avancemos em nossa vida e no uso de nosso formato na máxima capacidade. E no processo de transformação é essencial que se parta do entendimento da essência e como essa essência é usada hoje, para que então se defina alvos de transformação.

 

E, como o primeiro passo é esse entendimento honesto e verdadeiro do hoje, convido-o a uma autoanálise:

-Assim como no caso do bisturi, qual é o seu formato? Do que você é feito? Qual sua capacidade?

-E... como esse bisturi tem sido usado: como na mão de um médico, ou de um bandido?

 

Faça essa reflexão e perceba como tem usado o que tem e quem é. E, a partir de agora, busque sua contínua transformação para que use, no máximo e melhor potencial, aquilo que tem!

 

É isso aí.

 

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