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"Carreira nada óbvia" - uma história e seus princípios. Por Patrícia Schuindt

28 Jan 2019

Você já considerou fazer uma transição de carreira, mas não enxerga possibilidades? Ou mesmo tem algumas opções a escolher, mas não consegue decidir? Se sua resposta é sim, compartilho nesse texto alguns conceitos e um exemplo de “carreira nada óbvia” bem-sucedida, para, quem sabe, te inspirar e gerar novas ideias!

 

Outro dia tive um bate-papo online com um amigo que está trabalhando na Espanha e ao compartilharmos sobre nossas experiências e o momento atual, me saltou uma frase na cabeça – “que bacana, você construiu uma carreira nada óbvia”! Fiquei admirada e feliz por suas conquistas, porque sei o quanto se esforçou para chegar onde está hoje. Foi daí que surgiu a ideia do texto.

 

E por que essa expressão “carreira nada óbvia?” Ele foi meu colega de turma no curso de Psicologia da Unesp de Assis e também trabalhamos juntos na Humanus Empresa Júnior (empresa que presta Assessoria e Consultoria em Psicologia Organizacional e do Trabalho). Depois, foi a pessoa que me indicou para trabalhar em meu primeiro emprego em São Paulo, na consultoria em que atuava, especializada em seleção de executivos. Imensa gratidão por isso!

 

Voltando ao assunto...qual seria uma carreira óbvia a seguir, pensando no curso de Psicologia e atuação nos estágios que fez na área? Atuar na área de Recursos Humanos em empresas ou em Consultorias da área, por exemplo. Foi o que ele fez por um tempo – trabalhou por alguns anos com Recrutamento e Seleção de Executivos, em consultorias especializadas, obtendo reconhecimento de seu trabalho e crescimento na área. Até que decidiu seguir para um novo desafio: atuar em um novo setor, mudar de área e trabalhar em uma nova função. Ele foi para uma empresa do ramo do atacado (alimentos e não alimentos), presente em diferentes países. Passou por cargos como Gerente de Projetos e Operações, Gerente de Projetos de Planejamento Comercial e Gerente Geral de Operações. E hoje, ele atua como Gerente de Operações e Logística, em uma empresa de Petróleo e Energia.

 

O que me chamou atenção em sua trajetória, foi que ele não seguiu um percurso-padrão-linear de ascensão. Mas criou um percurso diferente e único. Esse é o ponto central do que busco transmitir aqui: cada trajetória profissional é um quebra-cabeças a ser montado de forma personalizada. Existem diferentes possibilidades e precisamos pensar e agir sobre elas para construir uma carreira que tenha sentido para nós. O que fez sentido para mim como uma carreira, não faria sentido para ele e vice-versa. É preciso considerar a própria identidade, interesses, habilidades e potencial, propósitos, valores, possibilidades...e por aí vai!

 

E, algumas vezes, para ter uma carreira que faça sentido, será preciso criar caminhos vistos como improváveis e nada óbvios. Inclusive, falando sobre carreiras nada óbvias, tem um vídeo que recomendo: “O Profissional do Futuro”, que é uma palestra da Michelle Schneider, no TEDxFAAP. Ela traz informações muito interessantes e reflexões que todos precisamos fazer, a respeito das mudanças do mercado de trabalho, decorrentes dos avanços tecnológicos.

 

Vemos hoje a substituição de empregos por robôs e softwares, algo que se intensificará ainda mais nos próximos anos. Compartilho aqui dois dados que ela apresenta no vídeo: Em 20 anos, 47% dos empregos terão desaparecido, segundo a Universidade de Oxford. 65% dos alunos no ensino básico vão trabalhar em profissões que ainda não existem, segundo o Fórum Econômico Mundial. Para além de toda a reflexão que precisamos fazer como sociedade para lidar com novas questões que surgem, pensando em questões de carreira, as reinvenções profissionais serão mais frequentes e necessárias, não é mesmo?

 

Por tudo isso, ao conversar com ele, vi que poderia ser um bom exemplo de forma de pensar e agir para conseguir criar possibilidades profissionais. E pedi que ele respondesse a algumas perguntas. E ele topou! Obrigada Silvio Caravieri! Vamos às perguntas e respostas:

 

 

1) Silvio, Algumas pessoas têm o desejo de mudar de área, construir um novo caminho, por estarem insatisfeitas com a situação atual e/ou por terem outros sonhos. Mas é desafiador fazer essa transição de carreira. Quais foram seus pensamentos / crenças, que mais ajudaram a conquistar novos patamares? Que atitudes considera terem sido importantes?

Gosto muito de gente. Sou apaixonado pelas diferenças culturais e pelo quão interessante é o movimento de saber identificar quais são os principais drives de uma cultura e encaixar-se à ela. Então, acredito que pelo fato de ser muito curioso, dedicado, aberto ao novo sem medo de errar, são coisas que me ajudam no dia a dia e em minhas decisões. Não tenho medo de errar, nunca tive, e gosto do risco. Quem me conhece sabe que levo esse estilo no meu dia a dia. Também sou um cara simples e transparente com todos e em todos os momentos. Sempre tento fazer o meu melhor e me dedico muito a ouvir as pessoas.

 

2) Que “conselhos” você daria a quem quer fazer uma transição de carreira?

“Tome tempo para você. Reflita. Pense muito em você, na sua família, amigos, rotina, e se visualize na função/cargo ao qual tem pensado em assumir nessa mudança de carreira. Externalize: escreva o seu currículo para os próximos 10 anos, o imprima, olhe para ele e pense se faria sentido essa mudança que tem pensado para agora. Será que é o momento certo? Olhando lá na frente, essa posição que está desejando terá agregado em algo? Arrisque-se. Com responsabilidade, mas arrisque-se. Eleja uma ou duas em seu entorno...pessoas que você admira, que compartilham de seus valores. Converse com elas. Peça suas opiniões. Espelhe-se em seus acertos e aprenda com os seus erros.”

 

3) Quando alguém assume uma nova função, precisa desenvolver novas habilidades e reforçar pontos fortes já existentes. Certo? O que ajuda nesse processo de aprendizagem, em sua visão?

"Falar com pessoas que já tiveram/ou que têm posições semelhantes ajuda muito. Estudar, pesquisar: ler. Após assumir a nova função: como você é novo e não possui um background técnico na função, dedique-se a ouvir a sua equipe (caso tenha uma), colegas de outras áreas da empresa. Pergunte a eles: "o que você gostaria de ver a área X entregando como resultados daqui 1 ano? Quais são as principais oportunidades para a área X em seu ponto de vista? Se você estivesse na minha pele, o que faria?" Em resumo: reflita, projete-se, seja bom ouvinte, dedique-se muito as pessoas e divirta-se com o fato de tudo ser novo na nova função.”


O que você pode aprender e aplicar a partir da visão e experiência do Silvio?

 

Eu aprendo muito com ele sobre o quanto é focado, concentrado e estratégico para criar caminhos e alcançar resultados (quem já trabalhou com ele sabe do que estou falando – sabe aquele jogador que entra no jogo com olhar concentrado e para ganhar? Esse é o Silvio). Também aprendo sobre o quanto é preciso se dedicar hoje para colher resultados no futuro. Um dos pontos que mais fiquei feliz em tudo isso, foi saber que hoje ele tem uma atuação em outro país, em uma empresa multinacional. E lembro bem dele priorizando o estudo do inglês em sua rotina, lá atrás, para subir níveis no idioma. Além da coragem, adaptabilidade a mudanças e disponibilidade para aprender!

 

É isso, agradeço novamente, Silvio, por tantos ensinamentos!

 

 

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